Morte súbita: o que é e como diminuir o risco da sua ocorrência?

A morte súbita em bebês é um evento trágico, com impacto substancial e definitivo em famílias e na comunidade de uma maneira geral. Trata-se da ocorrência de uma morte inesperada, subitamente, durante o sono de um bebê, que não consegue ter elucidada a sua causa.

Bebês entre o primeiro e o quarto mês de vida são os que apresentam maior risco da ocorrência da morte súbita. Dados internacionais estimam que ocorra aproximadamente 1 morte para cada 2.500 bebês nascidos vivos. A maioria das mortes em bebês acontece à noite, durante o sono, podendo, entretanto, ocorrer ao longo do dia em creches, escolinhas maternais e nas próprias casas destes bebês.

Os fatores de risco mais importantes na ocorrência de SMSL estão relacionados à posição do lactente ao dormir e às condições em que ele dorme. Os bebês que são colocados para dormir com a barriguinha para baixo ou de lado apresentam um risco maior de morte súbita quando comparados aos bebês que dormem de barriguinha para cima.

Dormir na mesma cama dos pais está também fortemente associado a um maior risco da ocorrência da morte súbita, especialmente para os bebês de até 3 meses de vida.

A presença na cama do bebê de colchas, edredons, mantas com pêlo, travesseiros e brinquedos ou almofadas com enchimento para proteção aumentam o risco de morte súbita pois podem facilitar a obstrução das vias aéreas do bebê, dificultando sua respiração.

Os colchões dos berços de bebês devem ser firmes e sob medida, não devendo ser usados travesseiros.

Os bebês de mães que fumam apresentam um risco até 5 vezes maior de morte súbita em comparação com os bebês de mães não fumantes. Além disso, o tabagismo paterno e o tabagismo passivo na infância também foram associados com maior risco. Desta forma, enfatizamos a importância para todos os pais, em especial para as mães, de evitar o tabagismo, não apenas durante a gravidez, mas também após o nascimento da criança.

São de maior risco os bebês prematuros e aqueles que vivem em condições precárias.

O que os pais podem fazer para diminuir o risco da ocorrência da morte súbita?

  • Muita atenção em relação à posição que o bebê vai ser colocado no berço. Ao contrário de antigas recomendações, hoje sabemos que a posição mais segura para o bebê é a posição de barriguinha para cima, conhecida como posição supina. Nunca coloquem seu bebê no berço, para dormir, “de bruços” (de barriguinha para baixo) ou de lado!!!!!. A partir do momento que o lactente aprende a rolar sobre o corpo, geralmente depois dos 4 meses, ele poderá dormir em qualquer uma das posições.
  • O colchão do berço deve ser firme, próprio para o tamanho do berço.
  • Mantas com pêlo, travesseiros, brinquedos, almofadas com enchimento para proteção e outros objetos macios trazem maior risco de sufocamento e devem, portanto, ser evitados em berços.
  • Dormir no quarto dos pais, nos primeiros 6 a 12 meses de idade, é permitido, sendo inclusive um fator de proteção. Entretanto, em hipótese alguma eles devem dormir na mesma cama dos pais. Durante o sono podemos rolar sobre o bebê e sufocá-lo.
  • O aleitamento materno é uma medida protetora, especialmente o aleitamento exclusivo, devendo, portanto, sempre que possível ser estimulado.
  • Evite exagerar no aquecimento dos bebês.
  • Cadeirinhas de transporte em carros não devem ser utilizadas para substituir os berços em casa, principalmente para os bebês pequenos.
  • O uso de chupetas se mostrou um fator de proteção para a ocorrência de morte súbita em alguns estudos. Este fato motivou nos EUA a recomendação de uso de chupetas em bebês que já estejam em aleitamento materno estabelecido há pelo menos 3 semanas. Outros países, como o Reino Unido, Nova Zelândia e a Austrália não adotaram esta mesma recomendação.
  • Finalmente, aconselhamos as mamães a não fumar durante a gravidez e evitar a exposição do bebê à fumaça do cigarro. Por razões óbvias devem também evitar o consumo de álcool e de drogas ilícitas durante a gestação e após o nascimento das crianças.
  • A adoção de todas estas medidas é simples, trazendo segurança para os papais e mamães de bebês, contribuindo para uma vida mais saudável e com menos riscos.
* O conteúdo foi desenvolvido pelo Dr. Marco Aurélio Safadi (CRM: 54792), parceiro da NUK e professor de Pediatria da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo e coordenador da Equipe de Infectologia Pediátrica do Hospital.

Até o próximo post.

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